Thursday, November 23, 2006

DEPOIS DOS SAPATOS DE TÉNIS, CONFISSÕES DE UM YVES SAINT-LAURENT

Quando as mulheres não tem homem, tem sapatos. Homens e sapatos tem várias coisas em comum, estão por baixo, são úteis na rua, não ficam mal dentro de um armário e podem~se deitar fora ou esconder no sotão quando estão velhos. Mas, entretanto ambos tem arranjo.

A razâo porque os sapateiros, os úteis chumecos de vão de escada, tem tantas mulheres nuas na parede é porque os sapatos gostam sempre de estar junto das mulheres. No fundo os sapatos são fidelíssimos, duram até até ao fim. Suportam intervenções cirúrgicas incríveis. Mas chega a hora em que são atirados ao lixo sem uma só explicação. Entretanto os pobres andaram em cima de toda lixeira universal que é a rua, que em Portugal além de lixeira é um escarrador, de tal ordem, que em vez de Rua da Hera ou Rua Diário de Notícias se devia chamar Escarrador da hera, Escarrador Diário de Notícias.

Os sapatos também suportam ser trocados. Mal se estavam a acostumar ao odor, à forma, aos calos, às unhas tortas, ainda que bien nées, e a uma variação de meias impressionante, eis que são preteridos por outros novos.

A queda no ostracismo de um sapato é fulminante. Poderá aconselhar-se com outros, dar uma fugida sózinho para ver uma nesga de lua no céu da cidade salpicado de antenas de TV? Ir beber um copo com uns amigos? Não pode. Tem que estar sempre disponível. Não admira que dê em filósofo, visto que tem vida efêmera, uso sujeito ao capricho, estoicismo permanente, e no fim ele que salvou nobres princesas galácticas de tocar no lixo, acaba no lixo.


1 Comments:

Blogger Abder said...

não posso deixar de sorrir, ... está genial!!! mesmo que não concorde!!! vou tentar arranjar uma resposta à altura!!! :)
a resposta vai estar em
http://banalidades-no-triviais.blogspot.com/
já sabes quem sou eu?
bjs

9:09 PM  

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